
A Lei Áurea assinado pela princesa Isabel em 1.888, declarando extinta a escravidão no Brasil, só foi possível depois de 80 anos de luta por parte dos abolicionistas. Como tudo o que não beneficia o poder no Brasil, o fim da escravidão contou com uma luta árdua e persistente daqueles que defendiam não só a liberdade dos escravos como também as idéias republicanas. A princesa Isabel, tida como heroína e redentora para alguns historiadores é, na verdade, uma princesa que agiu apenas sob pressão política e que de espécie alguma ajudou os escravos do Brasil após a abolição, os abandonando e os deixando na mais absoluta miséria.
A abolição no Brasil ocorreu há mais de um século, mas os dias atuais não se distinguem do passado. Apesar de ser uma nação formada por negros, brancos e índios, o Brasil carrega com si o preconceito e a desigualdade social. Uma sociedade formada por mais de 50% de sua população negra, ou afro-descendente, como queiram, não chegam a 20% o total de negros que usufruem as “coisas bacanas” que essa sociedade oferece. No Brasil cria-se a ilusão e o mito que a miscigenação das raças o faz um país democraticamente livre do preconceito. Em um país onde não há igualdade entre as pessoas, a mistura das raças serviu apenas para esconder a injustiça social contra os mais pobres, onde estão situados, obviamente, os negros e seus descendentes. Uma sociedade formada por portugueses brancos e aristocratas, que se colocam como superiores e, o negro como pobre e inferior. Ao contrário do que acontece em países norte americanos onde o preconceito é direto e formal, no Brasil esconde-se uma sociedade hierarquizada e dividida, onde se desenvolve um preconceito onde a cor da pele, feiúra dos rostos, conta bancária e sobrenome são essenciais para se situar em tal sociedade.
A exploração do negro rendeu ao país um grande atraso econômico e social, o Brasil até então era a única nação independente que se mantinha escravagista. O preço pago foi alto, enquanto o capitalismo avançava e a Europa se industrializava o Brasil mantinha sua economia na base da exploração. O atraso foi fatal e hoje o país com o maior índice de desigualdade social e pobreza, colhe os frutos de seu passado negro.
O Brasil precisa começar á aceitar as suas diferenças e a lidar com elas, mas para isso é preciso buscar os direitos básicos da igualdade, de todos serem iguais perante a lei. Índios, negros e lusos, todos ajudaram a construir essa nação e sua cultura e, todos, igualmente, devem ser respeitados por isso. O mesmo caminho utilizado para destruir, poderá ser usado para construir a igualdade de todas as etnias, mesmo que pareça utópico, porém, essencial, a real expressão de uma única raça, a raça humana.
Crédito da imagem: http://www.vivabrazil.com/vivabrazil/images/abolic1.jpg

Olá, Fran...
ResponderExcluirMuitíssimo obrigada pela ilustre visita em meu blog. Parabéns pelo texto que aborda a questão do preconceito e desigualdade social. O fato é que o racismo foi inserido em nossa mente desde a Abolição. Isso se cauterizou com o tempo. É questão era - Como um branco poderia conviver em um mesmo nível social que um liberto, visto que o mesmo era até então, “moeda de troca"? O negro era um produto comerciável. Não era gente, mas sim objeto de uso no trabalho braçal e, também, na reprodução. A história se encarregou de contaminar as mentes com pensamentos como a questão de cotas universitárias. O fato de haver cotas, já é um sinal de preconceito racial. Pq não fazem cotas para todas as raças, se os direitos, hipocritamente falando, são iguais.
Nosso país tem muito a ser modificado, começando pela ideologia de vida e respeito pelo próximo, independente de sua cultura ou raça.
Abraços, minha queira. Sucesso sempre.