terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Eu, 3.° Pessoa: Léléu




Quem sou eu? Um ser humano, mulher, número de identidade, cidadã brasileira, paulista. Sou tudo isso, mas antes de tudo, quero me apresentar como sendo a Léléu. Você já ouviu dizer sobre ela? A Léléu é única. Sou eu, e ninguém mais. Sabe por quê? Cada ser compõe a sua história, que será única e diferente de qualquer outra. Refletir sobre a própria história é tarefa árdua. É voltar ao tempo e reviver momentos inesquecíveis de felicidade e de dor. Mas são esses momentos que me ensinam o real significado de minha existência. O porque de estar aqui e a importância do amor para a vida.


Foi através do amor de meus pais que vim ao mundo. E por isso sou eternamente grata a eles. A vida é um grande privilégio, ter uma história é uma consequência.


Minha história é comum, triste, alegre, cheia de altos e baixos, cansativa talvez, mas única. Naquele dia 03 de fevereiro de 1985 eu nascia. O nome escolhido pela avó foi Francielle. Segundo minha mãe fui um bebê calmo e saudável. Lembro-me perfeitamente de quando ela e meu pai saiam de madrugada para trabalhar. Eu não queria que ela saísse do meu lado, com uma mamadeira e cantando esta música, ela me acalmava : “Dorme nenê que a cuca vem pegar, papai foi na roça, mamãe no cafezal”. Como toda criança tive um apelido. O escolhido pelo avô foi Léléu, e assim fui chamada durante 14 anos de minha vida.


Era uma menininha meio aloprada, serelepe, vivia fazendo rimas. Essa é inesquecível: “Vovô cara de patô”, e ele me dizia, “Léléu cara de pastel”, eu rebatia, “Nico cara de pinico”. Não para por aí, era do tipo de convidar qualquer pessoa para uma conversa, gostava de inventar histórias, adorava imitar e cantar. Lembro-me perfeitamente das poses fotográficas aos quatro anos, até mesmo do semblante do inesquecível Aristides- o fotógrafo.


Recordo-me das roseiras de minha avó, do coturno que ganhei aos cinco anos para ir ao rodeio da cidade, dos piolhos que sugavam o meu sangue, do tênis usado para ir ao pré, da primeira lancheira cor de rosa da Barbie, a minha boneca preferida, da primeira bicicleta com verde, e dos inúmeros tombos que presenciei junto dela. Por falar em bicicleta, vou contar uma pequena história. Aos seis anos me deparei com uma grande dúvida, queria, porque queria, descobrir o porquê de minha existência, perguntei á várias pessoas, mas todos me diziam a mesma coisa. “Foi Deus quem nos criou”. A resposta não era suficiente, alguma coisa protestava contra isso. Inconformada e confusa peguei minha bicicleta verde, e corri muito em busca de uma resposta. A resposta eu não encontrei, mas um belo de um tombo sim. Fiquei toda ralada e ainda por cima de castigo. É isso que dá, querer saber demais!


Os anos se passaram, mas o apelido continuou, era Léléu pra cá, Léléu pra lá. Já estava até conformada. O que não suportava mais, eram os curiosos.


- Porque teu apelido é léléu, Léléu?
- Porque meu vovô colocou seu chato?
- Que nada, é Léléu, porque você é lelé da cuca, sua doida, áháháháháh!


Trauma, que nada, só um certo convencimento de que realmente não batia bem das idéias. Estilos foram vários. A cowgirl, a badgirl , a patricinha, a certinha, a safadinha, a louquinha, a Léléu. De todas, a Léléu foi única, inesquecível e verdadeira. Era ela quem me fazia questionar, aprender e entender o mundo. Com ela vivi momentos maravilhosos ao lado de minha família. Com ela aprendi o real significado da felicidade e da simplicidade da vida. Foi ela quem me ensinou a ser um pouco do que sou hoje. Uma pessoa questionadora, que não desiste nunca do que quer, que vai até o limite das circunstâncias em busca do seu objetivo. Buscando sempre a honestidade, a reflexão, a alegria e o bem.


Sempre que paro para fazer uma alta avaliação sobre minha pessoa, descubro um milhão de erros que são cometidos a cada dia. Tento consertá-los, mas isso não é tarefa fácil.
Orgulho-me muito por hoje ter concluído um curso superior e estar tendo a oportunidade única de há dois anos estar terminando mais um, principalmente, por estudar algo que sempre quis desde que era a Léléu, Comunicação Social. Isso é um bom sinal de que ela ainda vive dentro de mim, que ela não morreu. O jornalismo entrou na minha vida de forma inesperada e rápida. Só me dei conta que não era uma mentira quando da fato estava na universidade, vivenciando o clima da aprendizagem, os amigos e os professores. E a Administração de Empresas foi um surto em minha vida, um desafio, uma oportunidade que eu não quis desperdiçar, jogando-a na lata do lixo. Todos questionavam-me: Mas será que você conseguirá conciliar dois cursos? Não será muito cansativo? Você não irá enlouquecer? A resposta é: Eu consegui sim, conciliei, derrotei o cansaço, o mau humor, a preguiça em acordar ás 5:00 da manhã e a dormir só á 0:00. Eu derrotei o impossível. Eu venci!


Apesar de tantas tristezas que já vivenciei, tantas perdas, tantas derrotas, tantos desafios, tantas aventuras e tantas saudades, sou um ser humano único e particular. Tenho, aos 23 anos, muita história pra contar e muito aprendizado. Objetivo na vida, ser feliz. Se formar em Administração de Empresas, ser uma grande jornalista, uma grande administradora e lutar por causas sociais.


Sou feliz porque que sei o que é infelicidade. "Levo esse sorriso porque já chorei demais." Sou forte, porque precisei lutar. Tenho plena convicção de algo, desse mundo não sei absolutamente nada. Por isso viverei cada dia como se fosse o último. Errarei menos. Aprenderei mais. Brigarei menos. Perdoarei mais. Lutarei pelo bem. Ajudarei o próximo. Meu avô se sentirá feliz por isso.

2 comentários:

  1. Querida,

    A partir de hoje serei seguidora de seu blog. Faça o mesmo, me siga e vamos nos manter informadas sobre nossas postagens!

    Bjs.

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  2. Oi Fran

    Nossa q história hein.. lendo ela passou um filme em minha cabeça de mim mesmo tbm, principalmente de quando aprendi a andar de bicicleta sem as rodinhas. Bons tempos.
    E no final então... conciliar dois cursos? cansativo?
    Olha tenho algo q aprendi com um grande mestre chamado Ayrton Senna. "Se vc tem um sonho e deseja realizá-lo, vá em frente. Se Vc tiver dedicação total e fazer com Mto Amor e Fé vc chega lá!" Mais ou menos assim.

    Parabéns Fran, Vc é um exemplo.
    Bjusss =)

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